Ao Manifesto do Alemão: "Que é que te faz sorrir?"

O Sorriso é o contrário do Suicídio.

Enfrentar uma 25 de março. Caminhar pela Paulista em horário de entrada ou saída dos empresários dali. Caos, em ambos. A "muvuca" e a gritaria na primeira, a pressa e o mau humor na segunda. Em meio a tudo isso, quem é que sorri? E se sorri, que é que os fazem sorrir? Que raios, e não é que o pessoal da 25 sorri bem mais? Caramba. (como comprovar isso? estatisticamente não dá!) Mais do que sorrir, cantam (seus males espantam?)! De forró de quinta a música gospel. É. E os engravatados da Paulista se dividem em manipular seus i-phones (ai-fóunis!), celulares, e desviar-se dos carros e do pedestre carrancudo que vem ali na direção oposta, ainda, e sempre, com mais pressa. Ops! Tropeço.
Foco!

Uso isso como ilustração para as categorias: o grupo cantarolante representa os de baixa renda; o grupo apressado, os de nível socio-econômico mais elevado. E os primeiros sorriem mais: grupo menos propenso ao Suicídio. Os segundos sorriem com menor frequência: maior tendência a cometer o Suicídio.
De acordo com E. Durkheim, pelo que entendi, o Suicídio é efeito do desligamento das esferas indivíduo-sociedade pelo desaparecimento de uma das esferas ou sobreposição demasiada de uma sobre a outra. O indivíduo necessita de meios de ligação ao conjunto maior que é a sociedade, porém, só até certo ponto, à partir do qual sua individualidade ficaria comprometida em meio à representação total de seu papel social. Mergulhar totalmente no social o tornaria vulnerável diante das variações desse papel. Logo, poderia haver uma quebra entre as esferas. À partir de então, o indivíduo se torna sociedade e, como não há ligação sociedade-sociedade, chega-se ao ponto em que o Suicídio pode se manifestar. Exemplo: uma esposa mongol só existe pelo papel social que cumpre como esposa. Se seu marido morre, ela comumente se suicida.

Mas o ponto em que quero chegar está exatamente na influência desses meios de ligação ao social apontados pelo autor. Ele trata essencialmente da religião e da família como formas de proteção ao suicídio. Geralmente, um religioso tem menos chances de suicidar-se do que um sem religião. Do mesmo modo, e estatisticamente demonstrado, católicos se suicidam menos do que protestantes (pelo maior nível de comunhão apresentado pelos primeiros). Quanto à família, quanto mais filhos um casal possui (dentro de limites), mais protegido está contra o mal. Isso porque tanto a religião quanto a família conseguem ligar o indivíduo a um papel social.

E o que isso tem a ver com o Sorriso?
Ele é a manifestação inversa do Suicídio. Aparentemente, pessoas de baixa renda se dedicam mais à igreja (há de se estudar isso), agora não só católicos, como, principalmente, crentes (em números cada vez mais significativos). Ademais, elas costumam ter famílias muito mais numerosas do que os "engravatados". Menor nível de instrução, maior quantidade de filhos. Logo, seguindo a linha de raciocínio de Durkheim, estão mais longe de cometerem o Suicídio. E, então, (agora sim) sorriem! Sendo assim, "que é que os fazem sorrir?"; o sorriso é a manifestação do equilíbrio entre as esferas indivíduo-sociedade. É a demonstração de que estão mais protegidas contra o fenômeno do Suicídio do que o grupo da Paulista. Agora sorrio ao ver desde uma criança pequena pedindo colo à sua mãe até um marmanjo pedindo colo à namorada: na idade que for, o indivíduo sozinho não sobrevive. E estudar essas relações sociais é fascinante. É um tema que está aí, sorrindo pra quem quiser investigar mais. E... ops! 12h40?! 
 
Ai, e ainda tinha a questão dos militantes! Mas acho que é por aí: nesse caso, social sobrepondo o individual.

Ao Manifesto do Alemão: "Que é que te faz sorrir?". Ótima questão!

4 comentários:

Mia disse...

hahahaha, "Miiiiaaa... eu comecei a escrever um texto e me atrasei demais!!!".

Bud, "Vontade de saber mais. Não me incomodo com atrasos."

Sobra pouco para eu falar em meio a tanta graça e inteligência. Por hora, apenas te leio. Isso me faz sorrir.

rivaldo disse...

Ainda estou esperando a resposta...

Camila de Sá disse...

Respondido! (email)

Dani disse...

Hum! vim aqui depois da nossa conversa de ontem, pois fiquei me perguntando " se ela ta perguntando pq eu não volto a escrever no blog, pelo menos ela deve tá escrevendo!
Adorei o texto de estilo novo, ao menos não tinha lido um desse tipo! Mas parece que você tem um feeling sociológico já, Budinha! E que bom que acha fascinante estudar isso, e melhor ainda que o relaciona com seu cotidiano!
Muito bom poder ler de novo seus textos!