E lá vai ele: mãos rentes aos quadris, molejantes, acompanham os pés, mas não perdem a consonância com o movimento dos galhos finos dos extremos superiores daquele bosque entremeado de feixes imateriais, pois luz ainda não lhe é matéria. Não é, pois ele ainda não conhece os cientistas, nem a escola, nem as verdades. Conhece apenas, e por isso saiba até mais do que a maioria dos seres humanos, a sua própria Verdade. E ela é encantadora. Encanta sua existência e faz desta uma sequência coesa de descobertas diárias. Exato. É a Verdade que as torna elementos integrados de algo maior. Porque ela é este algo maior. E por mais que isso pareça contraditório, a Verdade do nosso camponês é o que possibilita haver relativismos entre quais e quem quer que seja. A natureza de sua Verdade é como a natureza que ele vê e sente entre aquelas árvores. Contempla as copas das choupanas daquela fauna, que é flora! Aprecia os sabores que a natureza lhe oferece. Gosta de amoras. E eu bem diria que estas demoram para madurar. Mas ele não tem pressa. Ele não aguarda, nem o fruto espera. A amora experimenta a ação do tempo, mas tempo sendo o sol e a chuva, a claridade, a umidade e a escuridão. Descobre diariamente um novo tom - vai do vermelho ao quase-negro - e depende da luz solar para escurecer. Como o homem precisa experimentar da juventude para tornar-se velho. E mesmo sendo velho será um pouco jovem diariamente. E será todo sabor. Alimenta-se da natureza e a alimenta até o fim. Amém (em tom alegre!). A criatura é criadora de nomes. E gosta das amoras pretas, apesar de não chamá-las desse jeito. Mas, creio, compreenderia. Só não entenderia como a amoreira que dá amoras pretas de todo sabor poderia ser a tal de Rubus sp. Ou como o homem de todo encanto - e sabor -, "prazer, Homo sapiens sapiens!". Agora, o homem vai até o arbusto e contempla as amoras ainda lilazes. Sabe que não estão maduras, mas gosta de acompanhar a mudança da tonalidade delas. Sente um feixe solar na testa e a serenidade nos olhos. Delicia-se com a brisa e com as cores das jovens amoras. Não mata o tempo, nem o atropela. Nem o tempo, nem o fruto. Ainda assim, desfruta - já que também se morre um pouco a cada dia...
* ... meus 20 anos de boy, that’s over baby, Freud explica?!
2 comentários:
Buda!
Como eu já previa, não seria um texto "babaca" como você disse!
Muito linda essa sua sintonia com a natureza! Gera sempre textos maravilhosos com metáforas e trocadilhos delicados.
Mesmo que o contato com a natureza seja raro, ele engrandece muito o espírito e vem cheio de paz!
Vamos pra São Carlos!!!
PS> adorei o trecho de chão de giz!
Beijos!
Dani
.. eu fico bobo do quanto de coisa boa tem por esses blogs da vida... quanta coisa que teria que ser publicado, eterno em um livro... parabéns, vc escreve demais moça...
Gleuber Militani
Postar um comentário